Mobilidade para a Geração Z: insights e oportunidades
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Mobilidade para a Geração Z: insights e oportunidades


Como o Jovem vê a Mobilidade
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Por meio de uma pesquisa cultural sobre a Geração Z em São Paulo, identificamos oportunidades de fomento à mobilidade ativa

A mobilidade ativa se tornou uma grande aliada da geração Z, proporcionando mais liberdade aos usuários de transporte

Em um cenário onde as rotinas mudam constantemente, as novas oportunidades de se locomover em cidades como São Paulo se tornaram uma ferramenta de autodescoberta para uma geração que encara a mobilidade de um novo jeito – e que não necessariamente precisa de um carro para experimentar a cidade.

A partir de um esforço de Pesquisa e Estratégia e do nosso pensamento de design, nosso time foi a campo entender  sobre a relação da Geração Z (de 15 a 20 anos) com a mobilidade em São Paulo, a fim de mapear oportunidades que favorecem  o uso da mobilidade ativa (meios de transporte que fazem uso do esforço físico, como bicicletas e patinetes). 

A partir dessa pesquisa, identificamos grandes oportunidades não só para empresas do setor, mas para todos que queiram se associar a uma experiência mais integrada de cidade, que estimule o bem-estar.

Mobilidade urbana em São Paulo

Se locomover em São Paulo hoje pode ser uma experiência exaustiva. A cidade tem cerca de 12 milhões de habitantes que passam uma média de quase 3 horas por dia no trânsito. Nesses deslocamentos, os paulistanos também enfrentam dificuldades geográficas, de infraestrutura e segurança, como os relevos acidentados e as más-condições das vias.

No entanto, existem formas de se transformar essa questão. A mobilidade ativa se torna cada vez mais uma grande aliada da população, proporcionando mais opções de destino (especialmente para trajetos curtos) e tirando o peso da responsabilidade de ter um carro.

Pesquisa cultural

Como podemos compreender como a juventude lida com essa nova lógica? Nosso time de Pesquisa e Estratégia ouviu jovens da Geração Z (15 a 20 anos) das classes AB, que já estão inseridos nesse contexto e utilizam no mínimo um meio de transporte ativo para deslocamento diário.

As primeiras experiências de mobilidade deste grupo se dão em meio a um choque de realidade que tem a ver com a criação: o medo da violência na cidade leva os pais a limitarem a liberdade dos filhos, definindo horários, trajetos mais seguros e garantindo que estejam quase sempre acompanhados. A partir de um determinado momento, esses jovens se tornam mais livres e é inaugurada uma nova relação com a cidade, potencializada pela conexão do celular e em que começam a conhecer melhor a diversidade de São Paulo.

Dentre as principais motivações para começar a usar os meios de transporte ativo, foram apontadas a oferta de caminhos seguros, como ciclovias e ciclofaixas, a consciência ambiental, a oportunidade de usufruir da liberdade que os sistemas de veículos compartilhados proporcionam e também a prática de atividade física em contato com a cidade.

Por outro lado, algumas barreiras podem impactar o uso desses meios de transporte. Os principais desafios são o medo de conviver com motoristas dos carros e também de ser roubado, a falta de informação sobre regras e condutas de trânsito e também sobre a infraestrutura da cidade, e para as meninas, o medo de serem assediadas.

Ainda que lidando com essas barreiras, a relação dos jovens com esse meio de transporte amadurece com o tempo e ganha significados mais transformadores. A consolidação do uso acontece quando há uma sensação de que as fronteiras com a cidade foram expandidas, algo que o jovem tem orgulho de mostrar. Ele começa a construir uma identidade com potencial transformador, apoiada por uma rotina segura e momentos de reflexão e relaxamento nos trajetos. 

Os aprendizados da pesquisa tangibilizaram a criação de direcionamentos que podem orientar a geração de ideias para empresas e interessados em pensar sobre mobilidade. Essas são 5 diretrizes para a criação de novos produtos e serviços para fomentar a mobilidade ativa:

1 – EXPANDIR OS CAMINHOS SEGUROS

Já que o medo é a principal barreira para a expansão do uso de meios de transporte ativo, podemos ajudar a ampliar as rotas seguras, criando novos trajetos, proporcionando experiências de deslocamento coletivas e informando melhor as condições das vias em trajetos frequentes e novos.

2 – FORMAR USUÁRIOS MULTIMODAIS

As opções de meio de transporte estão se multiplicando. Podemos incentivar a combinação desses meios, explorando o potencial de cada um nos momentos mais adequados e incentivando trajetos com transição entre modais na cidade.

3 – INTEGRAR BIKES COM A CIDADE

A bicicleta é o meio de transporte ativo mais difundido, mas ela ainda não foi plenamente incorporada à vida na cidade. Resolvendo tensões associadas ao seu uso, podemos ampliar seu alcance. Facilitar o transporte de bicicletas (pelas ruas e nos meios de transporte) e oferecer alternativas seguras para o estacionamento em vias públicas são algumas sugestões.

4 – ESTIMULAR O BEM-ESTAR ATRAVÉS DA MOBILIDADE

Muitas pessoas já buscam escapar da hostilidade da cidade através do uso de meios de transporte ativo. Podemos ajudá-los a encontrar essas fontes de bem-estar e inseri-las no seu cotidiano, estimulando a exploração da cidade sob a ótica do bem-estar emocional.

5 – OFICIALIZAR A TRANSGRESSÃO CONSCIENTE

O uso de meios de transporte ativo ainda é uma forma transgressora de se deslocar. Podemos reconhecer e dar visibilidade a esses atores para legitimar a forma corajosa com que vivem a cidade, premiando suas atitudes  e também estimulando a reunião e criação de coletivos voltados a essa alternativa.

Um convite à mobilidade

O surgimento de um novo fluxo para a cidade de São Paulo é revolucionário. Por mais difícil que seja confrontar a hostilidade do transporte, as novas oportunidades revelam uma cidade a ser desbravada, que inspira os usuários a diminuir o ritmo e prestar atenção ao redor. 

Na Questtonó Manyone, estamos prontos para acelerar a indústria da mobilidade. Seja uma bicicleta, moto, carro, trem, avião ou um ecossistema complexo de serviços, nosso modo de pensar o design estratégico somado a uma metodologia ágil nos permite projetar e entregar soluções centradas nas pessoas – e também no planeta.