Inovação para o bem-estar sustentável: a última esperança


Uma reflexão urgente

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Comportamento

Em pleno 2022, não há mais espaço para chamar quem se preocupa com o planeta de “eco-chato”, não dá mais para desgastar o uso da palavra sustentabilidade sem um comprometimento real com a causa. Essa reflexão é urgente.

Estamos cada vez mais perto de atingir um esgotamento irreversível de recursos do planeta e isso é um consenso entre os cientistas e pesquisadores mais sérios. Muitas previsões negativas do passado estão ocorrendo antes do previsto e, se não modificarmos radicalmente a forma como exploramos o meio ambiente nos próximos anos, presenciaremos uma realidade distópica digna de seriados do Netflix. Em alguns lugares do mundo isso já está acontecendo. A Groenlândia, por exemplo, ficou sem gelo pela primeira vez no último verão. Eu poderia seguir dando exemplos, mas esta não é a finalidade deste texto.

Este é um alerta para que as empresas e organizações passem a se tornar definitivamente parte da solução e não do problema. 

Entendo que, embora seja uma mudança necessária, ela está longe de ser simples. E é aqui que entra meu papel como designer e empresário e, com isso, todo um potencial para mapear novas oportunidades que ajudem a construir novas propostas de valor para as companhias, pautadas em um novo olhar sobre a sustentabilidade. 

A morte de uma empresa a médio prazo é seu pensamento de curto prazo. 

Às vezes, precisamos destruir muito do que somos para reconstruir nossa realidade com bases mais consistentes. Se é assim que funciona com organismos e ecossistemas, porque não seria assim com as organizações? 

A inovação real requer a coragem de se reinventar. Adaptar-se, antecipar a mudança, gerar a mudança.

A Apple condenou o futuro do Ipod ao criar o Iphone. A Amazon pôs em risco sua venda de livros físicos lançando o Kindle. Todos querem ser a Apple e a Amazon, mas nem todos têm a coragem de Jeff Bezos e Steve Jobs.  Para que fique claro, estes não são exemplos relacionados à sustentabilidade, mas comprovam que, com foco, é possível disruptar o próprio mercado e seguir sendo protagonista.

Por que então investir em negócios sustentáveis não parece ser uma prioridade na ordem do dia de executivos e tomadores de decisão? 

Uma companhia não seguirá prosperando sem o planeta prosperar!

É esperado que quem desenvolve produtos e serviços busque satisfazer seus clientes, melhorando seu bem-estar, proporcionando conforto e prazer. No entanto, estas ações não costumam vir acompanhadas da seguinte reflexão: o bem-estar que estou promovendo é sustentável, ou seja, é possível usufruí-lo sem comprometer a capacidade do resto da população ou das futuras gerações de vivenciar este mesmo nível de bem-estar? 

Sem esta reflexão, o que costuma acontecer é que a melhoria na vida de alguns está diretamente relacionada à piora de outros, no presente ou no futuro.

Por mais inconveniente que seja constatar, apenas 10% da população mundial é responsável pela metade de todo o impacto gerado pela nossa espécie.

Não há como construir uma sociedade mais feliz se esta não for sustentável e, ao mesmo tempo, não há como pensar num futuro sustentável sem levar em conta o bem-estar da população.

Portanto, para enfrentar os desafios do mundo contemporâneo, é preciso inter-relacionar esses temas com o objetivo de promover o Bem-estar Sustentável.

Há 5 anos pesquisando o tema, pudemos mapear inúmeras oportunidades que estão sendo desperdiçadas.

Para quem gosta de inovação e de desafios complexos, uma jornada rumo ao bem-estar sustentável pode ser apaixonante e dar mais sentido ao estar no mundo. 

Afinal, você quer fazer parte do grupo que transformou o planeta em um deserto ou daquele que colaborou para regenerá-lo? Mesmo se não houver tempo, não será mais reconfortante saber que você, ao menos, fez sua parte?