Inovação colaborativa e economia circular: o case Reinova
O Brasil é hoje o maior poluidor plástico da América Latina. Estima-se que cada pessoa gere cerca de 16 kg de resíduos plásticos com risco de chegar ao oceano por ano. Não por falta de consciência, mas por falhas estruturais no sistema de coleta.
Grande parte desse volume vem de territórios onde a infraestrutura necessária para a coleta simplesmente não existe. Ou seja: o problema não está apenas no consumo, mas na ausência de um sistema capaz de capturar e reinserir esses materiais na cadeia.
Esse é o tipo de desafio que não pertence a uma empresa. E, por isso, não pode ser resolvido de forma isolada.

A economia circular propõe um modelo onde resíduos deixam de ser descartados e passam a ser reinseridos continuamente na cadeia produtiva.
Na prática, isso exige mais do que reciclagem.
Exige coordenação entre múltiplos atores: indústria, logística, território e tecnologia.
No caso do plástico, o principal gargalo não está na capacidade de reciclar — mas na capacidade de coletar.
Sem coleta, não existe circularidade.

Diante desse cenário, surgiu uma premissa clara:
nenhuma empresa resolveria esse problema sozinha.
Foi a partir disso que a Questtonó, em parceria com o Pacto Global da ONU, reuniu Coca-Cola FEMSA, Unilever e Alpargatas em uma jornada de inovação colaborativa.
O objetivo não era otimizar operações individuais, mas construir uma resposta sistêmica.

Como o Reinova foi estruturado
- Imersão: construir uma leitura comum
Antes de qualquer solução, as empresas abriram seus dados e compartilharam desafios reais da cadeia de logística reversa.
O foco foi entender onde e por quê o sistema falha.
- Visão coletiva: alinhar direcionadores
A partir dessa leitura, o grupo definiu princípios claros:
_gerar impacto mensurável
_utilizar ativos existentes
_criar valor real para quem vive o problema
_garantir escalabilidade
- Ideação: explorar possibilidades viáveis
Com a visão consolidada, foram geradas múltiplas soluções focadas em:
_coleta
_valorização de resíduos
_reinserção na cadeia
O ponto crítico ficou evidente:
o maior vazio estava nas regiões sem infraestrutura formal.

A solução: Moeda Circular
A resposta construída foi a Moeda Circular — um modelo operacional que atua diretamente onde o sistema não chega.
Trata-se de uma unidade itinerante que:
_percorre comunidades periféricas
_coleta resíduos pós-consumo (PET, borracha, etc.)
_remunera moradores via PIX, na hora
_garante rastreabilidade total dos materiais
Mais do que coleta, o modelo cria um incentivo econômico direto, transformando resíduo em renda.

Como a solução funciona na prática:
Operada em parceria com a Green Mining, a Moeda Circular conecta ponta a ponta:
_Coleta em territórios sem infraestrutura
_Triagem e direcionamento correto
_Integração com cooperativas
_Reinserção na cadeia produtiva
O morador não precisa se deslocar.
O sistema vai até ele.

O que outras empresas podem aprender:
Empresas que operam em cadeias complexas enfrentam desafios semelhantes:
_perda de controle sobre o pós-consumo
_dificuldade de rastreabilidade
_limitações da logística reversa tradicional
O case ReInova aponta um caminho:
_sair da lógica individual
_construir soluções em rede
_atuar diretamente nos pontos de falha do sistema
Desafios complexos não se resolvem com soluções isoladas.
Fale com especialistas em inovação colaborativa e economia circular — e descubra como estruturar modelos que geram impacto real.
